Harry Kane enterrou o vencedor das oitavas de final da Inglaterra aos 90 minutos, liderando os Três Leões na vitória sobre a República Democrática do Congo por 1 a 0 em um confronto cauteloso em Atlanta que também serviu como uma fase eliminatória para a Copa do Mundo de 2026. O gol chegou a cinco minutos do final, quando Kane aproveitou uma bola perdida dentro da área e rematou rasteiro para o goleiro da República Democrática do Congo, Lionel Mpasi. A finalização coroou uma noite nervosa em que a Inglaterra lutou para desbloquear um bloco compacto congolês até ao final do jogo, com apenas algumas meias oportunidades antes da intervenção de Kane.
A equipe de Southgate dominou a posse de bola - 68% a 32% - mas converteu apenas dois de seus 15 chutes, sendo o chute de Kane o único que importou. A República Democrática do Congo, organizada pelo técnico Sébastien Migné, absorveu a pressão por longos períodos e quase puniu a Inglaterra no contra-ataque, antes que o substituto Ousmane Mangala obrigasse Jordan Pickford a defender com a ponta do dedo, aos 78 minutos. O domínio estatístico mascarou um impasse táctico, já que a equipa de Southgate se viu sufocada pelo disciplinado bloco baixo da RD Congo.
A incapacidade da Inglaterra de transformar o controlo territorial em oportunidades claras destacou uma fragilidade recorrente na criatividade do meio-campo, forçando os avançados a alimentarem-se de sobras. O susto tardio envolvendo Mangala serviu como um alerta severo de que a posse de bola sem penetração é um convite ao desastre, uma lição que será vital contra a pressão de alto calibre esperada na fase a eliminar. Para uma equipa frequentemente criticada por congelar no grande palco, esta vitória ofereceu uma contra-narrativa corajosa, embora pouco convincente.
Passar dos 16 avos-de-final era a linha de base inegociável, mas a forma de progressão deixa pouco espaço para complacência. Embora o instinto clínico de Kane mais uma vez encobrisse as rachaduras, a equipe deve elevar sua coesão estrutural rapidamente. A margem de erro desaparece contra a Holanda ou o Japão, onde o desperdício na frente da baliza será punido com muito mais severidade do que uma defensiva congolesa resiliente.
A forte confiança no brilhantismo individual de Kane expõe uma falha sistêmica em criar chances de alta qualidade para outros atacantes. A configuração conservadora de Southgate prioriza a solidez defensiva, mas deixa o ataque isolado, obrigando o capitão a recuar para influenciar o jogo antes de correr para a área para finalizar jogadas que ele praticamente teve que criar. Esta dinâmica é insustentável contra defesas de elite que marcarão Kane fora do jogo, exigindo que o elenco de apoio – especificamente a sala de máquinas do meio-campo – intensifique e compartilhe o fardo da criação.
Além disso, o custo físico e mental de obter um resultado na umidade de Atlanta não pode ser negligenciado ao avaliar a profundidade de rotação do time. Com a fase a eliminar se aproximando, Southgate deve decidir se mantém o XI que garantiu o resultado ou injeta forças frescas para combater o cansaço que assolou o segundo tempo. A fuga por pouco serve como um teste de resistência necessário, mas também destaca a linha tênue entre o pragmatismo do torneio e a estagnação.
A Inglaterra sobreviveu ao susto, mas não pode contar com o heroísmo tardio como estratégia principal se pretender erguer o troféu. O resultado leva a Inglaterra às oitavas de final em Dallas, onde enfrentará o vencedor da eliminatória Holanda x Japão no dia 3 de dezembro. Southgate admitiu após a partida que faltou ritmo ao desempenho da Inglaterra: "Não jogamos no nosso ritmo habitual esta noite.
As condições tornaram tudo difícil e a República Democrática do Congo defendeu muito bem. " O que vem a seguir: A Inglaterra se reagrupará em Dallas antes do confronto das oitavas de final, com a condição física de Kane e a compostura do meio-campo sob escrutínio após outra exibição irregular. Ler em BBC Football