Chamada de pênalti de Kane provoca tempestade VAR na Copa do Mundo
A vitória da Inglaterra por 2 a 1 sobre a RD Congo dependeu de um pênalti de Kane que nunca aconteceu, desencadeando um debate acirrado sobre o papel do VAR em uma eliminatória crucial.

A vitória da Inglaterra por 2 a 1 sobre a RD Congo foi definida menos pelos gols e mais por uma polêmica do VAR aos 28 minutos, depois que o recurso de pênalti de Harry Kane foi negado. O árbitro Adham Makhadmeh acenou após o desafio de Kane contra o goleiro Lionel Mpasi dentro da área, e o VAR se recusou a intervir, apesar do capitão da Inglaterra apontar para o pênalti. A decisão gerou uma reação imediata de especialistas e ex-dirigentes, com os ex-jogadores ingleses Wayne Rooney, Joe Hart e Micah Richards entre os que questionaram a decisão.
O ex-chefe de arbitragem da FIFA, Darren Cann, defendeu os árbitros, argumentando que o contato não atingiu o limite de “erro claro e óbvio” exigido para a intervenção do VAR. O debate se intensificou quando a Inglaterra mantinha uma vantagem de 1 a 0 no momento do incidente, embora a dobradinha posterior de Kane - incluindo uma vitória nos acréscimos - tenha selado a vitória e um confronto nas oitavas de final com o México. A controvérsia ofuscou um desempenho que viu a Inglaterra lutar para quebrar o bloqueio profundo da RD Congo, com os críticos questionando se um pênalti teria mudado a dinâmica.
O papel do VAR neste incidente sublinha um padrão mais amplo no torneio: apesar da sua introdução para eliminar erros humanos, a tecnologia continua a alimentar controvérsia em momentos em que a precisão não é negociável. A inconsistência na aplicação – onde algumas questões restritas são corrigidas enquanto outras são ignoradas – corre o risco de minar a confiança no próprio sistema. O debate sobre os pênaltis de Kane também expôs questões táticas mais profundas sobre a abordagem da Inglaterra.
A estrutura defensiva disciplinada da RD Congo forçou a Inglaterra a um estilo físico direto que dependia fortemente do brilhantismo individual de Kane. Sem o pênalti, o jogo de preparação da Inglaterra não tinha a mesma urgência, e sua incapacidade de quebrar o bloco congolês tornou-se um tema recorrente. O incidente destacou como uma única decisão da arbitragem pode influenciar não apenas o placar, mas toda a narrativa tática de uma partida.
Também levantou questões sobre se a confiança da Inglaterra na finalização de Kane mascarava fraquezas estruturais no seu ataque. A polêmica transcendeu o campo, revelando uma divisão cultural na interpretação do contato no futebol. Os tradicionalistas argumentam que a relutância do VAR em intervir em situações difíceis preserva a fluidez e o elemento humano do jogo, enquanto os analistas modernos afirmam que a tecnologia deve dar prioridade à consistência para proteger a integridade dos momentos de alto risco.
Esta tensão manifestou-se em tempo real enquanto as emissoras reproduziam o incidente em câmara lenta, dissecando cada fotograma para determinar se o joelho de Kane fez contacto com a mão de Mpasi. A intensidade do debate reflectiu uma crescente exigência de clareza num desporto onde as margens são medidas em milímetros e milissegundos. A ex-capitã da Inglaterra Steph Houghton e o zagueiro Paul Robinson acrescentaram suas vozes à dissidência, com Houghton afirmando: “É difícil não se sentir ofendido quando você vê replays que sugerem que o contato foi feito”.
Robinson, um ex-goleiro, argumentou que o posicionamento de Mpasi e o ímpeto de Kane justificavam um pênalti “muito forte”. As suas reações refletem uma frustração mais ampla entre jogadores e treinadores que sentem que as interpretações do VAR muitas vezes não conseguem ter em conta as nuances das colisões em tempo real. O que vem a seguir: a Inglaterra agora enfrenta o México nas oitavas de final, onde todas as decisões da arbitragem serão examinadas ao microscópio.
O debate sobre os pênaltis de Kane alimentará as narrativas pré-jogo, com o papel do VAR em momentos de alto risco mais uma vez sob os holofotes. A credibilidade do torneio depende de a tecnologia ser capaz de proporcionar consistência ou de o erro humano continuar a ser o árbitro final. A eliminatória com o México testará a capacidade da Inglaterra de superar as controvérsias do VAR e redescobrir seu ritmo ofensivo contra uma equipe que prioriza a solidez defensiva. Ler em BBC Football
Por que isso importa
Uma única decisão de arbitragem numa eliminatória da Copa do Mundo pode redefinir o legado de um torneio. A não marcação do pênalti de Kane contra a RD Congo não apenas negou à Inglaterra uma vantagem potencial – mas também forçou um acerto de contas com os limites do VAR em momentos de alto risco. O debate não é apenas sobre este jogo; trata-se de saber se a tecnologia está falhando em proteger as chamadas mais críticas do jogo. A inconsistência na aplicação do VAR corre o risco de minar a credibilidade do torneio e a confiança que os jogadores e adeptos depositam no sistema. O incidente de Kane cristaliza uma crise mais ampla: numa era em que todos os ângulos são capturados, porque é que as decisões cruciais ainda dependem de interpretações subjectivas?
Perguntas frequentes
- Qual foi o incidente do pênalti de Kane?
- Aos 28 minutos da vitória da Inglaterra por 2 a 1 sobre a RD Congo, Harry Kane colidiu com o goleiro Lionel Mpasi dentro da área. Kane apelou para um pênalti, mas o árbitro Adham Makhadmeh acenou para o jogo e o VAR não interveio. Especialistas e ex-dirigentes permanecem divididos sobre se o contato justificava um pênalti.
- Quem foram as figuras-chave no debate sobre o VAR?
- O árbitro Adham Makhadmeh deu a decisão inicial, enquanto a inação do VAR se tornou o ponto focal. Os ex-jogadores ingleses Wayne Rooney, Joe Hart e Micah Richards juntaram-se a Steph Houghton e Paul Robinson para questionar publicamente a decisão. Darren Cann, da FIFA, ex-chefe de arbitragem, também opinou, defendendo a interpretação dos árbitros sobre o contato.
- O VAR teve oportunidade de rever o desafio de Kane?
- Sim. O incidente foi analisado pelo VAR, mas o árbitro assistente determinou que não havia provas suficientes para anular a decisão em campo. A análise centrou-se em saber se o contacto de Kane com Mpasi constituiu um erro claro e óbvio, um limite que o VAR deve cumprir.
- Como o debate sobre pênaltis afetou a partida?
- A Inglaterra liderava por 1 a 0 no momento do incidente, mas a negação do pênalti não mudou imediatamente o ímpeto. Mais tarde, Kane marcou duas vezes – incluindo uma vitória nos acréscimos – para garantir a vitória, eliminando o impacto imediato do debate no resultado. No entanto, a controvérsia ofuscou um desempenho nervoso contra a RD Congo e levantou questões sobre a abordagem tática da Inglaterra.
- O que vem a seguir para a Inglaterra após a vitória na RD Congo?
- A Inglaterra avança para as oitavas de final, onde enfrentará o México em uma eliminatória de alto risco. O debate sobre os pênaltis de Kane terá grande importância à medida que os Três Leões procuram construir um início de torneio instável, com o escrutínio do VAR certamente se seguirá.
- Como a inconsistência do VAR impactou outras partidas do torneio?
- A aplicação do VAR tem sido irregular ao longo do torneio, com algumas decisões apertadas corrigidas enquanto outras são ignoradas. Esta inconsistência alimentou a frustração entre jogadores, treinadores e adeptos, levantando questões mais amplas sobre a eficácia da tecnologia na proteção da integridade do jogo.
Fonte
- Should England have had a penalty for challenge on Kane?
BBC Footballbbc.co.uk1 de jul., 17:48en-gb














