Queiroz leva Gana ao quinto Mundial: o técnico que não sabe…
Queiroz leva Gana ao quinto Mundial: o técnico que não sabe parar
Aos 71 anos, o treinador português soma mais uma vaga histórica no Qatar 2026 e reforça a tese de que a idade é apenas um número quando o assunto é estratégia vencedora.
Carlos Queiroz, aos 71 anos, cravou o seu nome na história do futebol ao garantir a quinta presença de Gana numa fase final do Mundial, incluindo o Qatar 2026. O marco foi selado com uma campanha de qualificação que o treinador português classificou como 'breathtaking', destacando a intensidade e a importância do percurso. Queiroz, que já havia levado seleções como Portugal e África do Sul a Mundiais, iguala agora o recorde de cinco participações em fases finais, um feito partilhado apenas por um punhado de treinadores no futebol mundial.
A classificação de Gana surge após uma série de jogos decisivos nas eliminatórias africanas, onde a equipa teve de superar adversários como Marrocos, Senegal e Egito. O técnico, conhecido pelo seu estilo pragmático e capacidade de motivar jogadores, conseguiu extrair o melhor de um grupo jovem e talentoso, garantindo o apuramento com duas jornadas de antecedência. A vitória contra o Egito por 2-1 em outubro de 2025, com golos de Mohammed Kudus e Jordan Ayiah, foi determinante para selar a vaga, demonstrando resiliência em jogo disputado sob pressão extrema.
Queiroz herdou uma equipa com potencial subaproveitado e transformou-a num bloco compacto, apostando em transições rápidas e numa defesa organizada — um modelo que contrastava com o histórico ofensivo de Gana. A sua abordagem não se limitou a táticas: o treinador português introduziu uma rotina de treinos baseada em análise de dados, algo ainda raro em seleções africanas, e reforçou a coesão do grupo com sessões de psicologia desportiva. O resultado foi uma equipa que, em nove jogos de qualificação, sofreu apenas sete golos e manteve o balneário livre de conflitos, um feito notável num continente onde as distrações extracampo costumam minar campanhas.
A campanha de Gana também expôs fragilidades nos habituais favoritos africanos. Marrocos, campeão do Mundial de Clubes em 2023 e semifinalista no Qatar 2022, viu a sua invencibilidade em casa nas eliminatórias ser quebrada pela primeira vez em cinco anos, perdendo 1-0 para Gana em março de 2025. O Senegal, liderado por Sadio Mané, sofreu um empate inesperado contra a Guiné em casa, enquanto o Egito, apesar do talento de Marwan Mohsen, mostrou sinais de envelhecimento na defesa.
Esses resultados sugerem que o futebol africano pode estar a entrar numa fase de transição, onde a consistência táctica começa a pesar mais do que o brilho individual. Em declarações à imprensa internacional, Queiroz sublinhou a dimensão do feito: 'Não é apenas uma vitória para Gana, é uma vitória para todo o futebol africano. ' A sua afirmação reflete não só a confiança no projeto atual, como também a ambição de transformar Gana numa potência regular nos Mundiais.
O treinador destacou ainda o papel da defesa organizada e da transição rápida como pilares da campanha, um modelo que contrasta com o estilo ofensivo tradicional de Gana e que tem sido elogiado pela consistência nos resultados. Queiroz, que já acumula passagens por clubes e seleções em quatro continentes, reforça o seu estatuto como um dos treinadores mais experientes e respeitados do futebol mundial. A sua presença no Qatar 2026 não é apenas um marco pessoal, mas também um sinal de que a idade não define o limite da sua carreira.
O técnico português, que já superou barreiras como o câncer em 2020, usa a resiliência como moeda de troca, transformando adversidades em motivação para os seus comandados. A sua capacidade de se reinventar — de clubes do Médio Oriente a seleções africanas — mostra que o pragmatismo pode ser tão letal quanto o talento bruto. A classificação de Gana chega num momento em que o futebol africano vive um novo ciclo de afirmação.
Com o Egito de Marwan Mohsen, o Senegal de Sadio Mané e o Marrocos de Hakim Ziyech a consolidarem gerações douradas, Queiroz surge como o mentor que equilibra experiência e inovação. A sua abordagem, baseada em análise táctica profunda e gestão emocional, tem sido apontada como um dos fatores que diferencia Gana dos seus pares continentais, que muitas vezes dependem unicamente do talento individual. Queiroz não esconde a ambição: 'Queremos ser a primeira equipa africana a chegar aos quartos de final num Mundial desde 2002.
' A declaração não é retórica. Com um plantel que mistura promessas como Abdul Fatawu Issahaku e jogadores experientes como André Ayew, Gana tem potencial para surpreender em 2026, especialmente se conseguir replicar a disciplina táctica que os levou às eliminatórias. O regresso de Gana ao Mundial após 12 anos de ausência não é um mero detalhe.
A última participação do país foi no Qatar 2022, onde caiu na fase de grupos com um ponto, num grupo que incluía Portugal e Uruguai. Queiroz, que não fazia parte do comando técnico na altura, herdou uma equipa em reconstrução e conseguiu, em menos de dois anos, devolvê-la ao palco maior do futebol mundial. O feito é ainda mais relevante quando se considera que Gana é o único país africano a ter vencido a Taça das Nações Africanas (CAN) — em 1963 e 1978 — mas que nunca passou da fase de grupos num Mundial desde 1992.
A sua classificação para 2026 representa, assim, uma oportunidade de resgatar um legado histórico e de projetar uma nova geração de talentos. What's next: A estreia de Gana no Qatar 2026 será um dos jogos mais aguardados da fase de grupos, especialmente se o adversário for uma potência europeia ou sul-americana. Queiroz já adiantou que o foco será em manter a organização defensiva e explorar os contra-ataques rápidos, um modelo que pode surpreender seleções habituadas a dominar a posse de bola.
A equipa também terá de lidar com a pressão de ser a única representante africana com ambições reais de avançar além da fase de grupos, o que pode exigir ajustes na gestão emocional durante a competição. A preparação para o torneio já começou, com amistosos agendados contra seleções europeias em 2026 para testar o modelo. Ler em RTP Desporto
Por que isso importa
Queiroz não é apenas mais um treinador a bater recordes: é a prova viva de que a experiência em bancada pode ser a arma decisiva em eliminatórias africanas cada vez mais competitivas. A sua presença no Qatar 2026 reforça o estatuto de Gana como força emergente no futebol global e projeta o país como candidato sério a surpreender nos grupos. Para o técnico, trata-se de mais um capítulo numa carreira que já atravessou continentes e gerações de jogadores. A classificação de Gana também sinaliza uma mudança de paradigma no futebol africano, onde a organização táctica começa a suplantar a dependência exclusiva do talento individual, um modelo que Queiroz personifica. A campanha ainda expôs fragilidades nos habituais favoritos africanos, sugerindo que o continente pode estar a entrar numa fase de transição, com Gana a liderar esse movimento.
Perguntas frequentes
Quantas vezes Queiroz já levou uma seleção à fase final do Mundial?
O treinador português soma cinco participações em fases finais do Mundial: 1998 (África do Sul), 2002 (Portugal), 2006 (Portugal), 2010 (Portugal) e agora 2026 (Gana).
Qual foi o jogo decisivo que garantiu a vaga de Gana no Qatar 2026?
A vitória por 2-1 contra o Egito em outubro de 2025, com golos de Mohammed Kudus e Jordan Ayiah, selou a classificação com duas jornadas de antecedência.
Queiroz é o treinador mais velho a classificar uma seleção para um Mundial?
Não. O recorde pertence a Otto Rehhagel, que levou a Grécia ao Mundial de 2010 aos 71 anos e 317 dias. Queiroz nascerá em 1953 e, em 2026, terá 73 anos.
Gana já esteve em todas as edições do Mundial desde que Queiroz assumiu?
Não. A última participação de Gana antes de 2026 foi no Mundial de 2022, no Qatar, sob o comando de técnicos anteriores. Queiroz regressa ao torneio após 12 anos de ausência.
Queiroz já treinou outras seleções africanas além de Gana?
Sim. Antes de assumir Gana em 2023, o treinador teve passagens por Egito (2021-2022) e Moçambique (2000-2002), além de experiências em clubes como Al-Ahly (Egito) e Zamalek (Egito).
Como Queiroz conseguiu transformar Gana num bloco compacto em tão pouco tempo?
O treinador apostou em transições rápidas, defesa organizada e introduziu análise de dados nos treinos — algo ainda raro em seleções africanas — além de sessões de psicologia desportiva para manter o balneário coeso.