A política determina se você prefere Ronaldo a Messi
Novas análises mostram que o seu apoio a Ronaldo ou Messi durante o Campeonato do Mundo reflecte as suas opiniões políticas – e o futebol é mais do que apenas uma questão desportiva.
A escolha entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi durante a Copa do Mundo não é apenas esportiva. Uma nova análise do Dagens Nyheter mostra que o apoio aos dois ícones está correlacionado com a opinião política. O estudo, que se baseia em dados de opinião de vários países durante as últimas Copas do Mundo, aponta que a politização do futebol é mais profunda do que se pensava anteriormente.
Segundo a análise, os eleitores com valores conservadores tendem a preferir Ronaldo, enquanto os simpatizantes dos partidos de esquerda elogiam mais frequentemente Messi. Os números são claros: 63% dos que se identificam como de direita na pesquisa apontaram Ronaldo como o seu favorito, em comparação com 31% dos que têm tendência à esquerda. Messi, por outro lado, superou os apoiantes de esquerda com 58 por cento, enquanto apenas 22 por cento dos eleitores de direita partilharam a opinião.
Os investigadores do estudo, publicado no Dagens Nyheter, sublinham que a ligação não é aleatória. Eles mapearam como as narrativas da mídia e os debates sociais moldam a imagem dos jogadores – Ronaldo como o líder disciplinado e focado nos objetivos e Messi como a narrativa criativa e oprimida, respectivamente. Esta polarização, por sua vez, reflecte divisões sociais mais amplas, onde o futebol se torna uma arena para políticas de identidade.
O estudo também mostra que a idade desempenha um papel inesperado. Entre os jovens adultos (18-29 anos), Messi é a escolha clara, independentemente da filiação política, com 65 por cento de apoio, enquanto Ronaldo atrai apenas 19 por cento. Entre os idosos (60+), o quadro é inverso: 52 por cento preferem Ronaldo, contra 28 por cento para Messi.
Este conflito de gerações sugere que a opinião política não é a única força motriz, mas que a exposição cultural e mediática durante o crescimento molda as preferências. Dados adicionais mostram que a nacionalidade afecta a escolha, mas não da forma que muitos esperam. Em países com fortes correntes populistas de direita, como Itália e Brasil, Ronaldo é a escolha dominante mesmo entre os apoiantes de esquerda – 41 e 39 por cento, respectivamente.
Em países com culturas de esquerda tradicionalmente fortes, como a Argentina e a Espanha, Messi é a escolha óbvia para ambos os campos políticos, com 55 e 60 por cento, respectivamente. Isto sugere que as narrativas e a historiografia nacionais superam as opiniões políticas individuais em determinados contextos. Esta polarização também é reforçada pela forma como os jogadores são retratados nas redes sociais.
Segundo a análise, Ronaldo está fortemente associado à disciplina, ao sucesso e aos valores tradicionais – atributos frequentemente destacados nos círculos conservadores. Messi, por outro lado, é frequentemente associado à criatividade, humildade e justiça social, narrativas que tendem a ressoar mais fortemente em contextos de esquerda. Esta representação mediática cria um efeito de auto-reforço onde os intervenientes se tornam símbolos de debates sociais mais vastos.
Outro aspecto interessante é como o contexto económico entra em jogo. O estudo mostra que entre os que ganham rendimentos elevados, Ronaldo é a escolha clara, com 55 por cento de apoio, enquanto Messi domina entre os que ganham rendimentos baixos e médios (52 por cento). Esta divisão económica reflecte, em certa medida, os valores simbólicos associados aos jogadores: Ronaldo como o empreendedor que se fez sozinho e Messi como o representante do oprimido que mais trabalha.
Esta dimensão acrescenta outra camada à complexa rede de factores que moldam as nossas preferências desportivas. “Não se trata da qualidade do futebol, mas sim do que os jogadores simbolizam”, disse um dos investigadores ao jornal. As reações à análise foram mistas.
Alguns críticos acreditam que o estudo exagera a ligação, enquanto outros o vêem como uma importante contribuição para a compreensão de como o desporto e a política estão interligados. O que acontece agora? O estudo abre novas pesquisas sobre como outras estrelas do esporte são afetadas por narrativas políticas.
O próximo passo inclui entrevistas aprofundadas com apoiantes para compreender os mecanismos subjacentes à escolha. Além disso, está prevista uma análise de acompanhamento antes do próximo WC para verificar se a tendência continua. Está também em curso uma investigação mais ampla de outros desportos e da sua ligação à identidade política. Ler em Dagens Nyheter Sport
Por que isso importa
O futebol sempre foi mais do que um simples desporto – reflecte as divisões e os valores da sociedade. Esta análise mostra como as nossas preferências desportivas são moldadas por perceções políticas, muito além do campo. Desafia a imagem do desporto como uma arena neutra e abre um novo tipo de debate sobre identidade, poder e representação no mundo desportivo. O estudo também aponta para a forma como as diferenças nacionais e geracionais criam padrões complexos que vão além de uma simples divisão direita-esquerda, o que torna o papel do futebol no debate social ainda mais multifacetado do que se sabia anteriormente. Além disso, destaca como os antecedentes económicos e sociais moldam as nossas escolhas desportivas, mostrando que a politização do futebol é um processo multidimensional e não uma simples correlação.
Perguntas frequentes
Como foi realizado o estudo ligando Ronaldo e Messi à opinião política?
A análise é baseada em dados de opinião de vários países durante os torneios WC mais recentes. Os investigadores compararam a filiação política dos adeptos com a escolha dos jogadores favoritos e encontraram padrões claros.
A relação entre opinião política e escolha do jogador é aleatória?
O estudo mostra que 63% dos apoiantes de direita preferem Ronaldo, enquanto 58% dos apoiantes de esquerda elogiam Messi. Os números indicam uma conexão forte.
Que outros fatores podem influenciar a escolha entre Ronaldo e Messi?
Além da opinião política, a idade, a nacionalidade, a origem cultural e a situação económica desempenham um papel importante. No entanto, o estudo mostra que a política é um fator significativo, embora não seja o único.
Outros pesquisadores criticaram o estudo?
Sim, alguns acreditam que a conexão é exagerada. Outros veem a análise como uma importante contribuição para a compreensão do esporte e da política.
O estudo será acompanhado?
Sim. Os pesquisadores estão planejando entrevistas aprofundadas com torcedores e uma análise de acompanhamento antes da próxima Copa do Mundo. Uma investigação mais ampla de outros esportes também está em andamento.
Por que a escolha é diferente entre países como Itália e Argentina?
Em países com fortes correntes populistas de direita, Ronaldo domina, mesmo entre os apoiantes de esquerda. Em países com uma forte cultura de esquerda, como a Argentina, Messi é a escolha óbvia para ambos os campos. As narrativas nacionais e a historiografia pesam mais do que a opinião política individual em determinados contextos.