Jesús Ríos, principal estreante da Moto3 e representado por Héctor Faubel, quer trocar de moto para 2025: da Honda para a KTM. A mudança para o IntactGP já está no ar, com a equipa austríaca pronta para o receber numa das suas motos oficiais. O objetivo de Ríos é claro: explorar a competitividade da KTM para aspirar ao título.
A sua temporada na Moto3 já o viu emergir como um dos talentos mais rápidos do grupo, com resultados que falam por pódios e pole positions. A Snipers, que tem opção de renovação, agora tem que escolher: reter o motorista com um contrato forçado ou dispensá-lo, arriscando-se a perder um ativo crescente. Na temporada passada, os Snipers terminaram em terceiro no campeonato de construtores, mas 127 pontos atrás da líder KTM.
O fabricante austríaco venceu 11 das 20 corridas do calendário, um domínio que Ríos quer continuar. O chefe da equipe Mirko Cecchini, quando questionado sobre a situação, deu a entender que não forçaria uma renovação se o piloto não estivesse convencido. Uma posição pragmática, que reflecte a vontade de Ríos de não ficar preso a uma moto e a uma equipa que já não corresponde às suas ambições.
Cecchini acrescentou que a prioridade é construir um projeto vencedor, mesmo ao custo de abrir mão de um piloto talentoso caso não esteja alinhado. Já a IntactGP já contou com dois pilotos oficiais em 2024 e pretende consolidar a sua presença na Moto3 com um terceiro elemento de destaque como Ríos. Héctor Faubel, seu agente, está trabalhando na formalização do acordo com a IntactGP.
A negociação, segundo fontes próximas da equipa, está numa fase avançada e poderá ser concluída no verão, antes da pausa de inverno da Moto3. Faubel confirmou que a KTM oferece um pacote técnico mais agressivo, com motor de maior desempenho e gestão eletrônica mais flexível, elementos que convenceram Ríos a avaliar a caixa de câmbio. O contrato proposto tem duração de três anos, com opção de prorrogação pela equipe, detalhe que reforça a confiança mútua.
A mudança de Ríos não é isolada. Nos últimos dois anos, vários pilotos de Moto3 passaram da Honda para a KTM, incluindo Izan Guevara e David Alonso, que se tornaram campeões. A tendência reflete uma realidade objetiva: a KTM oferece maior margem de desenvolvimento e competitividade constante, enquanto a Honda luta para se manter numa categoria onde a diferença se faz em décimos de segundo.
Para os Snipers, a perda de Ríos seria um duro golpe, principalmente após a saída de Ayumu Sasaki no final de 2023, que deixou um vazio difícil de preencher. A reação dos concorrentes já é palpável. A equipa Leopard Racing, historicamente ligada à KTM, fechou 2024 com duas vitórias e um terceiro lugar no campeonato por equipas, demonstrando que a moto austríaca é a máquina a bater.
A equipa GasGas Aspar, que utiliza GasGas (mesma família da KTM), também terminou a um passo do pódio dos fabricantes, com 181 pontos contra 208 da KTM. Neste cenário, a Snipers corre o risco de ficar para trás caso não encontre rapidamente uma alternativa competitiva. Cecchini encerrou o discurso com uma nota pragmática: “Não podemos dar-nos ao luxo de ter um piloto que não acredita no projecto.
Se Jesús quiser ir, vamos deixá-lo ir, mas avaliaremos cuidadosamente o nosso futuro na Moto3”. Uma frase que soa como um alerta para a controladora Honda: se o Snipers deixar de ser competitivo, outros pilotos também poderão seguir o caminho de Ríos. Faubel, por sua vez, sublinhou como a escolha de Ríos foi feita após meses de análise técnica: “Testámos a KTM em condições reais e os dados falam claramente.
A diferença na qualificação é muitas vezes superior a dois décimos, uma margem que numa categoria tão equilibrada pode fazer a diferença entre o pódio e a zona de pontos”. A mudança de Ríos para a KTM não é apenas uma questão de desempenho, mas também de acesso a um ecossistema técnico mais avançado. A IntactGP, de facto, conta com o apoio direto do fabricante austríaco, com atualizações de software e mecânicas reservadas às equipas oficiais.
Esta vantagem traduz-se numa vantagem competitiva imediata: em 2024, os pilotos oficiais da KTM beneficiaram de uma margem de 0,15 segundos por volta na qualificação em comparação com as equipas privadas, uma diferença que pode fazer a diferença numa categoria onde a grelha importa mais do que a corrida. Já o Snipers atua como uma equipe satélite da Honda, com recursos limitados em relação às equipes oficiais. A empresa japonesa também reduziu os investimentos na Moto3 nos últimos anos, concentrando-se em categorias superiores.
Isso forçou os Snipers a desenvolver a moto de forma independente, com resultados mistos. A saída de Ríos, portanto, não seria apenas a perda de um piloto, mas também a confirmação de uma lacuna tecnológica que corre o risco de aumentar em 2025. Faubel acrescentou que a escolha de Ríos também foi influenciada pela estabilidade do projeto IntactGP, que em 2024 terminou em segundo lugar no campeonato de equipas com uma média de 12,5 pontos por corrida.
Um número que supera o dos Snipers, estagnados nos 9,8 pontos por jogo em 2024. Num campeonato onde consistência é tudo, esta margem pode ser decisiva para um estreante que almeja o título. Ler em Sky Sport Italia
Por que isso importa
Ríos representa o exemplo perfeito de como um talento emergente pode mudar a sorte de uma equipe e de um fabricante de motocicletas. Sua mudança para a KTM não só lhe daria acesso a uma moto mais competitiva, mas também forçaria a Snipers a rever sua estratégia de desenvolvimento. Para a Moto3, então, seria um sinal forte: os jovens pilotos querem crescer com equipamentos de última geração e as equipas têm de se adaptar ou correm o risco de perder o barco. A fuga de Ríos pode desencadear uma reação em cadeia, com outros pilotos considerando uma mudança de moto para 2025, acelerando a transição para a KTM como padrão de referência na categoria. A Snipers, por sua vez, encontra-se numa encruzilhada: ou investe num novo piloto de topo ou corre o risco de escapar da luta pelo título, com consequências também no suporte técnico da Honda numa categoria cada vez mais dominada pelo fabricante austríaco.
Perguntas frequentes
Por que Ríos quer sair da Honda?
O piloto espanhol aposta na KTM para ter maior competitividade e aspirar ao título. A Honda, embora confiável, não garante a mesma margem de desenvolvimento em uma temporada dominada pela KTM e GasGas. Os dados de 2024 mostram uma diferença média de 0,3 segundos por volta entre as duas motos na qualificação.
Os Snipers podem manter Ríos em contrato?
Sim, mas Mirko Cecchini disse que não forçaria se o piloto não estivesse convencido. Existe uma opção de renovação, mas a sua aplicação parece improvável, especialmente após a declaração do gestor da equipe sobre a prioridade de um projeto vencedor.
Quando a transferência seria concluída?
A negociação entre Faubel e IntactGP está em fase avançada. O acordo poderá ser formalizado até ao verão, antes das férias de inverno da Moto3, com um contrato de três anos já proposto.
Qual o papel de Héctor Faubel neste negócio?
Faubel, agente de Ríos, está negociando diretamente com a IntactGP para garantir ao piloto um contrato na KTM. A sua experiência no automobilismo facilita o diálogo com as equipes e tem permitido obter condições técnicas favoráveis ao piloto.
Qual a importância da KTM na escolha de Ríos?
Muito. A KTM é atualmente a moto dominante na Moto3, com 11 vitórias em 20 corridas em 2024. Para um novato em busca de sucesso, mudar para o fabricante austríaco é um salto objetivo de qualidade, apoiado pelos dados de desempenho.
Quais são os riscos para os Snipers se Ríos partir?
A Snipers corre o risco de perder um piloto de topo e ver a sua competitividade na Moto3 comprometida. A saída de Ayumu Sasaki em 2023 e agora de Ríos poderá obrigar a equipe a repensar sua estratégia, com possíveis repercussões no suporte técnico da Honda.