A federação iraniana de futebol protestará formalmente junto à FIFA contra as regras de viagem dos EUA que obrigam a seleção nacional a desembarcar um dia antes dos jogos da Copa do Mundo e partir na mesma noite. A federação argumenta que as restrições reduzem o tempo de preparação e violam a justiça do torneio, enquanto as autoridades dos EUA insistem que a política é aplicada uniformemente a todos os times. Os jogos de abertura do Grupo G do Irã, em Los Angeles e Seattle, estão sob a regra, com o time também programado para jogar em Tijuana.
A reclamação chega dias depois de o presidente da FIFA, Gianni Infantino, ter reiterado a necessidade de tratamento igualitário de todas as 48 seleções na Copa do Mundo de 2026, que também conta com Bélgica, Egito e Nova Zelândia no Grupo G. A política do Departamento de Segurança Interna dos EUA exige que as equipes entrem no país no máximo 24 horas antes do início do jogo e saiam dentro de 24 horas após o apito final, um cronograma que o técnico do Irã, Amir Ghalenoei, chamou de “sem precedentes e prejudicial”. O próximo passo da FIFA é esperado dentro de duas semanas, com Infantino programado para se encontrar com a delegação iraniana durante uma visita pré-torneio às sedes da América do Norte.
A disputa expõe uma linha divisória entre a logística do torneio e a fricção geopolítica, com potenciais repercussões no desempenho das equipas e na perceção mais ampla da justiça no Campeonato do Mundo. A FIFA deve agora decidir se a política dos EUA é um fardo específico ou uma falha sistémica que poderá remodelar a forma como as nações visitantes se preparam para o maior evento do futebol mundial. O protesto do Irão chega num momento em que a FIFA reforça as suas próprias regras sobre a neutralidade das equipas, proibindo mensagens políticas durante os jogos e limitando as interacções das equipas com partes interessadas externas.
O momento sublinha um paradoxo: enquanto a FIFA procura despolitizar o espectáculo dentro de campo, as políticas fora do campo, como as regras de entrada dos EUA, injectam a geopolítica directamente nos prazos de preparação. Os analistas observam que as equipes que chegam com janelas de preparação truncadas muitas vezes enfrentam dificuldades com o jet lag, ajustes táticos e até mesmo aclimatação básica – fatores que podem alterar as margens em um torneio decidido por centímetros. A regra de viagem também impacta desproporcionalmente as federações menores com menos recursos.
Embora as equipas de elite possam absorver a perturbação com protocolos de recuperação de alta tecnologia, nações como o Irão – que já enfrentam sanções e campos de treino limitados – enfrentam desvantagens agravadas. Esta assimetria corre o risco de transformar o Campeonato do Mundo de 2026 numa corrida armamentista logística, onde a qualidade da preparação depende menos do mérito desportivo e mais da capacidade de uma equipa para navegar nas políticas do país anfitrião. Para agravar a questão, a política dos EUA reflecte restrições semelhantes impostas durante torneios anteriores organizados por países com leis de entrada rigorosas, como a Rússia em 2018 e o Qatar em 2022.
No entanto, essas edições apresentaram menos equipas a viajar em prazos apertados, e a expansão do Campeonato do Mundo para 48 selecções em 2026 amplia o impacto de qualquer desvantagem logística. O grande volume de equipes agora sujeitas à regra amplifica o risco de que as lacunas na preparação possam influenciar os resultados, especialmente nas fases iniciais do torneio, onde as margens são mínimas. Historicamente, a FIFA tem priorizado a programação de torneios e os interesses comerciais em detrimento das queixas logísticas, muitas vezes enquadrando tais disputas como fora de sua competência.
No entanto, o caso do Irão obriga o organismo a confrontar uma realidade crescente: as políticas da nação anfitriã podem agora ditar a equidade competitiva antes que soe um único apito. A decisão poderá redefinir o papel da FIFA como reguladora da justiça, e não apenas como organizadora de torneios. O que vem a seguir: O Comitê Disciplinar da FIFA analisará o pedido do Irã e consultará as autoridades dos EUA antes de emitir uma decisão antes do início do torneio, em 11 de junho. Ler em NewsAPI.org