As duplas, uma disciplina histórica do ténis, estão diretamente ameaçadas por um projeto de reforma do ATP planeado para 2028. Os jogadores estão a mobilizar-se, especialmente em Wimbledon, para defender o seu lugar no calendário principal e evitar a marginalização brutal. À medida que se aproxima o Grand Slam britânico, epicentro do seu protesto, os atletas intensificam os seus discursos para alertar para os riscos concretos: uma redução nos pontos, uma queda nos prémios monetários e uma queda de 30% nos orçamentos atribuídos à sua disciplina até 2028, se a reforma for adotada.
Os números que circulam nos bastidores do circuito são claros: as duplas representam cerca de 20% das partidas disputadas no circuito ATP, mas apenas 5% das receitas diretas geradas pelos torneios. No entanto, seu apelo ao público é inegável. As partidas de duplas atraem em média 20% mais espectadores em torneios de Grand Slam em comparação com as partidas de simples, de acordo com dados internos compartilhados pelos jogadores.
Esta contradição entre popularidade e rentabilidade percebida alimenta a ira dos atletas, que denunciam uma lógica puramente contabilística. Duplas especializadas, como Austin Krajicek ou Rajeev Ram, enfatizam que sua disciplina continua sendo um reservatório de talentos para os singles, onde jogadores como Pierre-Hugues Herbert ou Nicolas Mahut construíram sua reputação antes de entrarem nos singles. Por trás da ameaça económica está também uma questão de identidade desportiva.
As duplas moldaram a história do tênis moderno: lendas como os irmãos Bryan, que conquistaram 119 títulos juntos, ou os Woodies (Woodbridge e Woodforde) personificam uma tradição que vai além do quadro puramente competitivo. O seu legado lembra-nos que as duplas não são uma disciplina secundária, mas um pilar por si só. Contudo, num ecossistema cada vez mais dominado pelo espetáculo e pela rentabilidade imediata, esta especialidade encontra-se na linha da frente de um conflito estrutural.
Os jogadores apontam um paradoxo: a ATP procura racionalizar as suas despesas, mas em detrimento de uma disciplina que, apesar do menor prestígio mediático, continua a ser um pilar do ténis mundial. Rumores sugerem uma revisão dos critérios de atribuição de pontos, com possível eliminação de pontos ATP para torneios de duplas abaixo do Masters 1000. Tal medida reduziria drasticamente a visibilidade das duplas, privando-as das vantagens ligadas a classificações e convites para grandes torneios.
Os jogadores também temem uma queda na premiação em dinheiro, já inferior à das simples: um vencedor de duplas em Roland-Garros recebe cerca de 650 mil euros, contra 2,4 milhões das simples. Esta diferença, combinada com a diminuição dos orçamentos, poderia tornar a disciplina financeiramente insustentável para muitos pares. “Disseram-nos que as duplas são muito caras, mas é uma disciplina que atrai milhões de telespectadores e gera enormes receitas indiretas”, diz um jogador anônimo sob condição de anonimato.
As reações também estão surgindo nas redes sociais, onde hashtags como #DoubleNotDead ou #SaveDoubles circulam para mobilizar a opinião pública. A mobilização vai além do quadro desportivo: questiona o lugar das disciplinas históricas num ecossistema onde a rentabilidade imediata muitas vezes prevalece sobre a preservação do património desportivo. Figuras como Édouard Roger-Vasselin ou Kevin Krawietz transmitiram estas mensagens, sublinhando que o duplo é também um vector de espectáculo e de coesão colectiva.
O próximo passo importante acontecerá durante o torneio de Wimbledon de 2024, onde os jogadores de duplas planejam organizar ações simbólicas para alertar sobre os riscos envolvidos. Caso a reforma seja adotada, as duplas poderão desaparecer do circuito ATP já em 2028, relegadas a torneios satélites ou exibições. Esta ameaça pesa sobre uma disciplina que viu nascer lendas e continua a ser um passo necessário para muitos jovens jogadores antes de se especializarem em singulares.
Os organizadores de Wimbledon, tradicionalmente apegados à preservação de formatos históricos, poderiam desempenhar um papel fundamental na defesa das duplas, mantendo prêmios em dinheiro atrativos ou organizando eventos dedicados. As duplas são uma disciplina histórica do tênis, mas hoje estão ameaçadas por uma reforma da ATP que poderia marginalizá-la. Os jogadores defendem uma especialidade que, embora menos divulgada que simples, atrai público fiel e gera renda indireta.
Sem uma forte mobilização, as duplas correm o risco de desaparecer do circuito profissional, privando os torcedores de uma parte essencial do tênis. Esta crise também revela uma divisão mais ampla: aquela entre a tradição desportiva e os imperativos económicos modernos, onde a rentabilidade imediata tem frequentemente precedência sobre a preservação do património desportivo. Ler em L'Équipe Tennis
Por que isso importa
As duplas são uma disciplina histórica do tênis, mas hoje estão ameaçadas por uma reforma da ATP que poderia marginalizá-la. Os jogadores defendem uma especialidade que, embora menos divulgada que simples, atrai público fiel e gera renda indireta. Sem uma forte mobilização, as duplas correm o risco de desaparecer do circuito profissional, privando os torcedores de uma parte essencial do tênis. Esta crise também revela uma divisão mais ampla: aquela entre a tradição desportiva e os imperativos económicos modernos, onde a rentabilidade imediata tem frequentemente precedência sobre a preservação do património desportivo. A ameaça às duplas também questiona o futuro das disciplinas secundárias num desporto onde os investimentos estão concentrados em estrelas individuais e nos torneios mais lucrativos.
Perguntas frequentes
Qual é a reforma ATP que ameaça a dupla?
A reforma prevista pela ATP prevê redução de pontos e premiação em dinheiro para duplas, bem como redução de 30% nos orçamentos destinados à disciplina até 2028. Rumores também sugerem a retirada de pontos ATP para torneios de duplas abaixo do Masters 1000.
Por que o duplo está ameaçado?
A dobradinha é considerada “muito cara” pelas autoridades, apesar do apelo aos torcedores e da renda indireta. Os jogadores temem a marginalização caso a reforma seja adoptada, com uma queda nos prémios monetários e uma perda de visibilidade.
Que ações os jogadores de duplas estão planejando em Wimbledon?
Os jogadores estão organizando ações simbólicas durante o torneio de Wimbledon de 2024 para aumentar a conscientização sobre os riscos enfrentados pela sua disciplina e mobilizar a opinião pública. Também estão em andamento discussões para eventos paralelos ou palestras durante as partidas.
Quais são os riscos caso a reforma seja adotada?
Caso a reforma seja adotada, as duplas poderão desaparecer do circuito ATP já em 2028, relegadas a torneios satélites ou exibições. Os jogadores também temem uma queda nos prêmios em dinheiro e uma perda de visibilidade, com consequências nas classificações e nos convites para grandes torneios.
As duplas são populares entre os fãs?
Sim, a dupla atrai milhões de telespectadores e gera receitas indiretas significativas. As partidas de duplas atraem em média 20% mais espectadores em torneios de Grand Slam em comparação com as partidas de simples, de acordo com dados internos compartilhados pelos jogadores.
Quais jogadores ou duplas estão na linha de frente desta mobilização?
Várias duplas, incluindo especialistas como Austin Krajicek, Rajeev Ram, Édouard Roger-Vasselin, Kevin Krawietz ou os franceses Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert, já se manifestaram em defesa da sua disciplina.